terça-feira, 17 de abril de 2012

Folhas no chão!

Caminhando no parque...
O outono me dá um tapete de flores
Secas, amareladas e barulhentas
Que embalam os passos musicais
Da minha feliz caminhada.

domingo, 15 de abril de 2012

Lágrimas e Flores!

Gotas de chuva.
Pingos de lágrimas.
Ventos gelados.
Tempestade na alma.

E o sol...
Escondido em alguma nuvem.
Me olha curioso
Esperando secar.

As lágrimas escorrem.
Molham a terra.

E brota uma solitária flor amarela!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Falta de Tempo!

Tarefas rotineiras. Agenda. Fazer a agenda do dia. Marcar uma lista enorme de coisas que precisam ser feitas. E, depois, colocar o "ok" ao lado de cada tarefa realizada... Múltiplas tarefas. Tempo aproveitado e tudo feito. É um enorme prazer dar conta de todas as funções e tarefas estabelecidas. Fazer todas as ligações, pagar todas as contas, fazer cada coisa no trabalho, com afinco e satisfação. Muitas tarefas e a organização do tempo é um sonho de consumo para muita gente. Porque todas as coisas citadas anteriormente não passam de um sonho impossível para muita gente. Falta de tempo... Esta é a expressão mais usada atualmente. Não deu, não tive tempo, foi tudo muito corrido e tantas outras desculpas, fazem parte do nosso vocabulário cotidiano. Alguém te encontra e pergunta: "vamos marcar um dia para tomar um chimarrão?" E é claro, a resposta vem imediatamente: "com certeza. Me liga!" E ninguém liga e nem tempo para isto. Até o próximo encontro e o mesmo convite. E assim vamos vivendo a vida desajeitadamente. É um ET aquele que tem tempo para caminhar e contemplar, aquele que liga para  a família, lê todos os emails diariamente e, ainda acha tempo para escrever no blog, arrumar o jardim e "otras cositas mas..." Então, por favor, quem me lê descubra um jeito feliz de fazer as tarefas cotidianas. Descubra um jeito de descobrir o que a vida tem para oferecer e, viva mais levemente. Correr atrás do próprio rabo é coisa de gato, cachorro... Precisamos diminuir o ritmo e viver a vida com mais delicadeza. Viver o cotidiano com a leveza de quem tem todo o tempo do mundo... Mesmo que seja em seus remotos sonhos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Continuo querendo...

"Eu quero a noite estrelada
 A lua bem cheia
 E a minha sombra na calçada.

 Eu quero, agora
 Andar bem abraçada
 E me sentir muito amada.

 Eu quero comer
 Brigadeiro de colher
 Deitar na rede
 E balançar, balançar
 Por todo tempo que puder..."

domingo, 1 de abril de 2012

Almoços de Domingo!

Depois da Ode ao Domingo da Preguiça vem o domingo da família. Talvez existam poucas coisas melhores do que uma mesa repleta de gente, em um almoço de domingo. Aquela desordem, braços que passam por cima dos outros. Todo mundo se servindo e todos servindo os outros. Conversas paralelas e muita gargalhada. Sim, gargalhada! Porque mesa repleta é mesa feliz. Todo mundo se mete na vida de todo mundo. Uns falam uma coisa e outros respondem outras mas, estão todos ali. Estão ali para compartilhar bem mais do que a comida, para compartilhar afeto. E afeto compartilhado é a garantia da felicidade. O riso é calmo, vem aconchegado com a certeza do amor de quem está ali, te observando e amando. Amo a casa cheia. É como me sinto verdadeiramente viva. O entra e sai de gente. A cozinha sempre em movimento. Uma quantidade de louça inacreditável e todo mundo por ali, se acotovelando para lavar, secar e guardar. Tudo isto regado com conversas inimagináveis. Sim! Quando estamos aquecidos pelo afeto dizemos tudo que queremos, sem filtro e sem patrulha, afinal quem está ali é quem nos quer bem. Então, seguimos livres, leves e soltos - nos gestos e nas falas - sempre tem alguém que dança, canta e ri de maneira engraçada. E pode. O domingo em família comporta tudo. Até o constrangimento. Um domingo assim, maravilhoso como o que eu vivi hoje, dá uma energia extra para a semana que se inicia. Começarei esta semana, mais amada, mais feliz e muito, muito mais cuidada. E, espero no fundo da minha alma, que dias assim se repitam milhares de vezes. E, que eu sempre esteja atenta para a felicidade que dias assim podem trazer. Saber que sou feliz é tão importante quanto ser... Boa semana para todos! 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Jardins!

Cortar a grama. Tarefa necessária e preciosa. O barulho da máquina abafa o barulho da terra. Pedacinhos de grama são levados pelo vento... Aparar os cantos do jardim. Outros pedaços de grama teimosos, que se negam a sair. Grama aparada e linda. Poda do jasmim. Outra tarefa necessária. Ele cresce e invade tantos espaços. Dói cortar esta planta tão linda, mas, infelizmente, há um limite de espaço que precisa ser respeitado. Se morasse no mato... Existe um limite de propriedade que limita a expansão das plantas. E o jasmim foi podado porque a sua natureza não respeitou este desconhecido limite. Guardei seus galhos e fiz lindos vasos que perfumam a minha casa. Saíram da rua e vieram para dentro de casa, com todo seu aroma e beleza. Mais um pouquinho de vida. Mais poda. E com ela o meu pedido de desculpas. Me sinto uma invasora em cada corte necessário. Arrumei os gerânios, as onze horas, as lavandas e as florzinhas de mel. Jardim sem ervas daninhas. Jardim lindamente arrumado. O dia de céu azul emoldurou este momento de puro prazer. E fico me perguntando, como consegui viver tantos anos sem um jardim para cuidar. Cada momento no meu jardim renova a minha paixão pela vida, pela natureza e por toda beleza que nos brinda. Somos brindados todas as manhãs e todas as tardes, com a cor do céu, as nuvens, as borboletas, as plantas e seus cheiros... O vento e a chuva. E toda a claridade da vida. Somos brindados todas as noites, com a lua, as estrelas e o bichos noturnos. Outros sons... E um silêncio que apazigua a alma. Meu jardim brilha de dia e descansa durante a noite. Fica quieto e orvalhado. Sem borboletas e sem pássaros. Dormindo para o despertar da manhã. Abro a minha porta e descubro a felicidade de cuidar de cada planta, cada canto desta terrinha linda. O jardim se transforma em mais uma coisa para eu amar e cuidar. E esta responsabilidade me enche de vida. E de prazer!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Viver em Porto Alegre...

Viver em Porto Alegre... Há quem diga que é uma província. Dizem que tem mentalidade de cidade pequena. Reclamam dos horários dos bares e restaurantes. Reclamam do número de salas de cinema... Reclamam. E amam. Porque a grande maioria das pessoas amam Porto Alegre. Quem nasceu aqui. Quem foi acolhido pela cidade. Quem, como o querido Mario Quintana, desvendou a alma da cidade: "Cidade do meu andar, desde já tão longo andar e talvez do meu repouso." Quem entende a razão das lojas de bairro fecharem ao meio dia. Quem entende os horários dos bares e restaurantes e, principalmente, quem se dá o direito de descobrir em cada esquina, cada canto, cada pedaço desta terra, um lugar especial. Uma árvore. Uma casa. Um jardim. Um prédio pretensioso, outro sem pretensão alguma. E as ruas... Cresci no Menino Deus. Desvendei as ruas do bairro com a minha Caloi vermelha. A Botafogo, Getúlio Vargas, Ganzo, Bastian... Estudei na Duque de Caxias e conheci o centro da cidade. Brinquei na Praça da Matriz. Depois descobri outros lugares. Fui morar na Tristeza e arrebatada por uma propaganda que dizia: "Venha ser feliz na Tristeza!". E fui. Morei na Landell de Moura, caminhei pela Mario Totta, Wenceslau Escobar, Armando Barbedo e fui amando o Guaíba. Já amava na minha infância, quando me banhava em suas águas, em Belém Novo. O lago Guaíba era RIO e, limpo. Agora dizem que é lago e que suas águas são poluídas... São! O Guaíba é impróprio para banho, mas dá um banho de beleza. Suas águas brincam de mudar o humor da cidade. Tem dias calmos, de águas esverdeadas ou prateadas. Tem dias de ondas marrons. Mal humorado com o vento... E lindo. Sempre lindo! Espera o dia todo o momento do por do sol. E eu fico por aqui, esperando as tonalidades do céu, imaginando como será o do dia seguinte. Sim, porque cada dia o sol dá um show. E, quando o sol está escondido, camuflado, desaparecido, o entardecer dá um jeito de ficar bonito, mesmo nos seus tons de cinza. E Porto Alegre adormece. Amanhece. E eu me sinto completa por aqui. Moro na rua Pasteur e descubro outros cantos da cidade, outras ruas pequenas sem saída. Novos trajetos de caminhadas. Perto do Guaíba. As águas dele me regem. Quando vivi fora da minha cidade estava em estado de exílio. Me sentia uma estrangeira, reconhecida pelo sotaque e, talvez, pela ausência de brilho no olhar. Porque a saudade ofusca os olhos. E nos ausenta. Ficava um tanto perdida, sem referência, longe das águas do Guaíba, longe do sotaque e muito longe dos cheiros floridos desta terra. Aqui tem flores o ano todo. As árvores dão as cores às estações. E os perfumes se espalham pelo ar. Viver em Porto Alegre é um pouco disto. Um pouco do perfume de flor, um pouco do vento minuano, um pouco da cantoria das nossas vozes. Cantamos mais do que falamos. Nosso sotaque é lindamente musicado. Tomamos chimarrão pelas ruas. Adoramos o nosso time de futebol. Temos a bandeira do estado em algum lugar da nossa casa. Em forma de adesivo, em um caderno ou em pano, exposta ou guardada em algum móvel. Viver em Porto alegre é passear no Brique da Redenção. É andar de lotação. É achar o Mercado Público enorme e jurar que por lá se encontra de tudo... Amo esta cidade. E queria ser só um pouquinho do Quintana para poder colocar em palavras todo o esplendor que ela possui. Guardo e respeito as minhas limitações - e declaro, simplesmente, meu amor incondicional pela minha terra natal - onde estou, aqui ou bem longe, carrego esta cidade cravada na alma.
Feliz aniversário, minha querida cidade!
E que eu viva em ti por muitos e muitos anos.