Há vinte anos atrás estava, neste momento, me preparando para ter a minha segunda filha. Hospital. Tralha e tal. Aquela ansiedade que dizem ser normal. Um sol espetacular como o de hoje. Um céu super azul. Minha filhotinha mais velha estava junto sem saber muito bem o que esperar. Nem eu sabia. Porque temia secretamente não ser capaz de amar as duas filhas da mesma maneira. Fui. Fomos. O pai coruja, a filhotinha pequena, a vó ansiosa, todos juntos. Entrei na sala de parto e senti, pela segunda vez, as mesmas coisas. A mesma sensação inacreditável de explosão de amor. Quando a Luiza saiu de dentro de mim, grande e linda, aos berros, meu coração aos pulos caiu de encantamento. Hoje, depois de vinte anos, ele segue assim. Encantado, apaixonado, enternecido... Olhando o dia, os pássaros, a trégua que o frio nos dá no dia de hoje, recebo como um presente duplo. O clima se assemelha com o de 20 anos atrás. A sensação de tempo passado, com tanta pressa, dá uma trégua momentânea... Vou fazer de conta que o tempo nem voou tanto assim. Mas vou me aninhar neste sentimento perfeito de alegria, orgulho e felicidade, pelas filhas maravilhosas que tenho. Vou comemorar as duas décadas de vida do meu nenê. E vou viver intensamente este sentimento que a maternidade me trouxe, de plenitude...
terça-feira, 26 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
Entre os pontos...
Ponto. Vírgula,
Ponto e vírgula;
Reticências...
Exclamação!
Oh! A Sensação!
Oh! O Sentimento!
Interrogação?
Dúvida?
Não sei?
Talvez não saiba...
Não sei se sei...
Não sei se sinto...
Só duvido que descubra
Qualquer coisa
Até o final da minha vida.
Porque entre todos estes pontos
Estou eu...
Sem saber quem sou!
terça-feira, 5 de junho de 2012
Irracionalidade materna...
"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida. Vem através de vós mas não são de vós e, embora vivam convosco, não vos pertencem." Sábias palavras de Khali Gibran que, há muitos anos atrás usei. Recitei o poema para a minha mãe porque imaginava precisar de espaço. Queria resolver as minhas coisas. Serviu! Desde então tenho o poema como um mantra,um mantra de autoconvencimento. Tive minhas filhas. Claro! Não são minhas. São filhas da ânsia da vida e blá blá blá. Vivem comigo mas não me pertencem. Sei! E fico feliz em saber que elas são livres. Tem as asas para voarem atrás de seus sonhos. Deu certo. São seguras do que querem e sabem que podem partir para qualquer nova empreitada da vida. Fico feliz. Emocionada. Sinto orgulho e tal. Mas uma pergunta não quer calar: o que faço com o meu lado "mãe pata choca"? O que faço com a minha irracionalidade materna? E o meu medo de perdê-las? E o medo de que as coisas não saiam como elas imaginam e eu nem estarei por perto para ajudar. E o medo de que não precisem da minha ajuda? Sim. Eu tenho medo. Tenho medo de perdê-las desde a primeira vez que as acolhi em meu colo. Tenho medo que se machuquem. Tenho medo que adoeçam... Tenho tantos medos que talvez nem dê para descrevê-los... E o que fazer com tudo isto, agora que uma das minhas filhas resoleu alçar vôo solo? Para bem longe... Meu discurso de mãe racional não está combinando com meus olhos sempre molhados. Todos os livros que li para aprender a racionalidade da maternidade estão queimando os meus dedos... Deixo ir. Sempre deixei. Assisto as escolhas delas com orgulho. Mas será que é proibido concordar em lágrimas? Será que eu posso apoiar dizendo que vou morrer de saudade? Será que eu posso participar de todo o planejamento com o coração orgulhoso e triste ao mesmo tempo? Tem coisas que a vida não nos ensina... Não sabemos nada de véspera. Até viver cada uma das coisas que se apresentam, não temos a menor ideia do que faremos diante delas. O "se" não é real. "SE" fosse, a vida seria muito sem graça. Porque, apesar de sentir um turbilhão de coisas, se soubesse como seria eu não estaria vivendo nada disto. A surpresa nos faz viver intensamente. A racionalidade e a irracionalidade do amor. As incertezas dos sentimentos. A ausência de palavras... É, às vezes as palavras desaparecem da minha boca. Fico sem saber o que dizer. Normalmente sorrio, na esperança de que algo surja. O que responder à seguinte sentença:"mãe eu vou estudar fora do país... E não pretendo voltar..."? Antes das palavras surgirem, derramei um monte de lágrimas, abracei, apertei, solucei e disse: "Te apoio e fico torcendo para que a tua escolha te faça feliz!" E agora só me resta encontrar esta racionalidade toda que, sinceramente não sei por onde anda...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Acumulando...
Retornar... Voltar para o ponto de onde partiu... Regressar... Chegar de volta... Fazer voltar... Casa! Chegar em casa! Voltar para casa, depois de longos dias fora, é uma sensação maravilhosa. Perfeita. Como um colo bem acolhedor. Olhar as próprias coisas. Deitar na cama, com o travesseiro conhecido, com o colchão marcado pelo corpo... As coisinhas que guardamos ao longo da vida ficam a nossa espera quando saímos. E, quando voltamos, elas ganham outro significado. É tão bom acariciar a colcha estendida na cama. Reencontrar aquele sapato ultra confortável que foi esquecido. Descobrir que ainda temos aquele creme para as mãos... Ou pequenos reencontros com as coisinhas bobas que acumulamos e, que de alguma maneira, gostamos. Somos acumuladores de lembranças. Tralhas que lembram... Acumuladores de coisas que não precisamos, mas não conseguimos nos desfazer. Eu acumulo cadernos, livros, revistas... Eu amo fotografias. Sou uma acumuladora confessa destes registros atemporais, amarelados e maravilhosos, que não canso de guardar. Tenho um baú enorme, ao lado da minha cama, repleto de álbuns de fotografias. Tenho uma caixa de vime repleta de fotografias e, também, tenho uma caixa bem antiga de biscoitos, com os "guardados do meu pai". Ele também acumulou. E eu sempre descubro alguma coisa sobre ele através destes registros. Voltei para casa! Estou de novo no meu cantinho tão querido. Voltei a olhar as águas do Guaíba para definir o meu humor. Voltei aos meus pequenos e bons hábitos. Voltei a remexer nas minhas coisas acumuladas... Mas o que mais gostei, desde que voltei, foi remexer nas fotografias das pessoas que fazem parte da minha vida. Meus avós, meus pais, minhas tias, minhas primas e eu, ali, bem pequena e sorridente, registrada em papel de fotografia. O tempo passa tão depressa... E acumular coisas talvez dê a falsa sensação de que seguramos, de alguma maneira, o que escorre entre os nossos dedos... Voltar para casa e segurar o tempo... Uma árdua tarefa que me proponho...
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Viajar...
Sair de casa. Sair da rotina. Conhecer novas pessoas. Precisamos disto. Sair em viagem é sempre um prazer. Tem todos aqueles inconvenientes de aeroporto, malas, atrasos e outras coisinhas mais. Mas, vale muito, cada contratempo. Sair da rotina dá uma renovada na vida. Muda as perspectivas. E, acredito, ninguém volta de uma viagem do mesmo jeito que partiu. As viagens transformam. Te dão uma outra percepção de todas as coisas. As pessoas são diferentes de uma cidade para outra. Existe um novo comportamento, uma nova maneira de se relacionar. As pessoas riem diferente em diferentes cidades. Não importa o país. A cidade é que imprime um "dna" nos habitantes. Porto Alegre tem um jeito, um cheiro, um ritmo específico. Que fazem dela a cidade que é. Assim acontece com Florianópolis, São Paulo, Montevideo, Curitiba, Punta del Este, Rio de Janeiro, Búzios... É além do sotaque. É a maneira como as pessoas caminham, falam e riem de coisas diferentes. O humor é diferente. Em alguns lugares as pessoas são mais sérias, em outros são gaiatas. Em alguns lugares as pessoas usam um padrão de roupa, em outros as pessoas sequer usam roupa... O bom da viagem é se ver através de outros olhares. Ou mais e melhor, o bom da viagem é passar desapercebido. Quem não adora a sensação de liberdade em andar em um lugar onde ninguém te conhece? Me dou ao direito de fazer o que quero quando viajo. Não sou patrulhada por nada, nem por mim mesma. Viajar é sair do lugar? Também. Mas, a cada viagem acredito mais firmemente que, viajar é sair um pouco de si. É deixar um pouco do que somos como uma bagagem pesada e, trocar por alguma coisa mais leve que poderemos ser... Boas viagens a todos nós!
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Rainer Maria Rilke!
Para a minha querida amiga Denise Castilho, com amor, um poema do Rilke.
"A minha vida eu a vivo em círculos crescentes
sobre as coisas, alto no ar.
Não completarei o último, provavelmente,
mesmo assim irei tentar.
Giro à volta de Deus, a torre das idades,
e giro há milênios, tantos...
Não sei ainda o que sou: falcão, tempestade
ou um grande, um grande canto."
Rio + 20
Rio + 20 está chegando. A cidade está se preparando para este mega evento, mas... Pequenas coisas precisam ser feitas. Ainda não existe uma cultura de separação do lixo, no Rio de Janeiro. Dá para acreditar que a coleta seletiva se dá há menos de 5 anos? Nos Restaurantes o lixo é misturado. Ninguém me disse, eu vi. E, como boa ecochata que me transformei, resolvi indagar... E a resposta? O que é lixo seco? O que? Pos é! Tem alguma coisa muito errada. Ou o discurso está MUITO desvinculado da prática ou, ele é vazio. No prédio onde temos apartamento a coleta é feita nos andares, em grandes gavetas por onde o lixo é lançado. Lançado e misturado. Só fica de fora aquilo "que pode trancar o lixo", ou seja, caixas de papelão, grandes volumes de jornais e vidro. E o resto? "Separamos, não!"... Falar sobre a importância da coleta seletiva virou uma mania. E não é privilégio do Rio, a falta de informação. Em Porto Alegre, onde a coleta de lixo seletivo acontece há mais de 2 décadas ainda existe o problema. As pessoas teimam em não separar o lixo. Já fui em muito churrasco de gente bacana onde o resto de carne, salada e comidinhas em geral fizeram companhia às latas e garrafas. O que fiz? Coloquei a mão no lixo e separei. Ações isoladas devem dar algum resultado. Acredito nisto. E vai além do lixo. Segue pelo comportamento das pessoas na rua. Segue pelo nosso consumo desmedido de água, luz e plástico. Aliás, este é o meu grande dilema. O meu lixo seco é IMENSO. O que também é um problema grave. Eu separo mas não diminuo. Este é um desafio para mim. Consumir menos refrigerante, menos água engarrafada e, menos produtos embalados... Este deve ser um desafio para muitos. Consegui usar as sacolas retornáveis e, quando a compra é grande, coloco em caixas de papelão. Este hábito já foi adquirido. Mas as coisas seguem entrando na minha casa... Esta é a minha próxima meta. Além de economizar luz e água, preciso reduzir drásticamente o meu consumo. E, acredito, que este será o desafio mais complicado... Alguém quer me fazer companhia neste desafio?
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