domingo, 6 de maio de 2012

Eu vi!

Quando saímos de casa existem mil possibilidades. Podemos encontrar pessoas interessantes, velhos conhecidos, familiares... Podemos descobrir uma coisa inusitada. Tudo pode acontecer. E tudo depende do nosso estado de espírito. Se saio ranzinza nada dá certo. Se saio calma as coisas acontecem no mesmo ritmo. E se saio cheia de bom humor as coisas viram piada. E foi assim. Em plena sexta feira no Botafogo Praia Shopping, no Rio, aconteceram coisas inacreditáveis. Primeiro a cena de um senhor bem idoso, em uma cadeira de rodas e uma menina em seu colo. Até aí nada de mais, né? Até ela tascar um beijo cinematográfico nele. Menina significa 20 e poucos anos. E senhor idoso significa um homem com mais de 75 anos... Foi inusitado. Entrei no salão para fazer a mão... E entrou uma manicure quase nua. Seu vestido era tão curto que aparecia a calcinha. E, acreditem, aparecia o absorvente íntimo que ela estava usando. Todo mundo viu. Algumas pessoas riram, outras falaram para ela e, a resposta: "Estou feliz e sou gostosa!". Feito! Nada mais a declarar. Achei graça dos comentários que vieram, a mulherada ficou contando casos de minissaia e saí do salão. Resolvi tomar um café no "Franz". Fui, sentei, pedi o meu "mocha gelado" e fui surpreendida, mais uma vez, pelo inusitado. Um rapaz, bem bonito, jovem, entre os 20 e 30 anos, com um livro, resolveu tirar melecas do nariz. Até aí nada de mais, né? Ok! Só que ele tirou e comeu. CO-MEU! Isto eu nunca tinha visto. Juro. Comeu as de uma narina e depois comeu todas de outra narina. Bizarro? Era em um local público. Quem viu saiu de perto. Eu resolvi achar graça. E ri. Ri de todas as situações incríveis que nos acontecem quando saímos observando as pessoas. Saí bem humorada e voltei impressionada. O comportamento humano ainda me surpreende. Ainda me impressiona a maneira como as pessoas comem em público, como falam, como reagem diante dos outros. Ainda fico perplexa com brigas de casais, com crianças sendo puxadas, xingadas e massacradas. E sigo olhando. Às vezes pela graça, outras pela desgraça. E eu vi. Saí e vi. Percebi junto com todos estes fatos, o clima, o céu azul, a maneira como as pessoas se encolhiam quando surpreendidas pelo frio do ar condicionado. Vi as meninas gargalhando. Vi as crianças brincando. Vi o homem fazendo graça na rua. E o inusitado virou curioso. E o curioso ficou confuso. E o confuso ficou engraçado. E o engraçado deu um tempero especial ao meu dia de expectadora. E, no final, eu vi o que a vida teve para me oferecer hoje, ontem... E espero pelo que virá no amanhã.

sábado, 5 de maio de 2012

Poderia ter sido...

Dia de sol. Céu azul. Poucas nuvens. Saio para caminhar em uma paisagem deslumbrante. Enseada de Botafogo abraça meus pés e amacia meus passos. Longos passos nesta cidade linda. O caos urbano acontece com todos seus tumultos e sons. As buzinas abafam os sons dos pássaros. Mas eles seguem em lindo balé pelos ceús. Gritos, brigas, um constante desgaste de quem não consegue parar e olhar o que a vida lhe oferece. Tanta beleza ignorada... A vida me oferece, neste momento, o relato de passos dados em busca de paz. Parei aqui, por instantes para descrever aquilo que poderia ter sido. Saí em busca de paz, mas às vezes é difícil ignorar o incômodo do outro. E o tumulto, de alguma maneira, ofusca a magia. Até da enseada de Botafogo...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sol e chuva!

A luz do sol ofusca meu olhar.
Cai uma lágrima.
Uma lágrima solitária que escorre.
Escorre em meu rosto.
Lentamente.

Escorre. Escorre.
E uma pequena nuvem vem se formar, aqui, em mim.
A chuva começa lentamente.
Da força do sol
No meu olhar.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Saudade do Silêncio!

As pessoas sempre me perguntam sobre a minha vida no Rio. Nunca entenderam porque foi tão complicado viver aqui. Não compreendem como pode ser difícil viver em uma cidade tão linda. E é verdade. O Rio de Janeiro tem uma beleza indescritível. É uma cidade verdadeiramente exuberante. Sempre disse, a todos que me indagaram, que as dificuldades que senti aqui foram em função do abandono do poder público, da insegurança, dos medos constantes da vida cotidiana. Vivi aqui em uma época onde as contradições eram mais evidentes do que hoje. Foram dias bem mais complicados. E era isto. Estava dada a minha explicação. Hoje, voltando para cá com certa frequência, vejo que não era só isto. Existe uma coisa perturbadora por aqui. A falta do silêncio. O Rio é uma cidade estridente, que pulsa em sons constantes, que berra em cada esquina. Por aqui é impossível ouvir o barulho do mar. Mesmo na Pedra do Arpoador alguém acredita que a música de sua preferência pode ser interessante para todas as pessoas que estão a sua volta. A gente grita em um bar para ser ouvida. A música se mistura com as falas, que se mistura com os gritos, que se misturam com as buzinas... Como o carioca buzina! Sempre. O tempo todo. Eu, estranhamente, a-do-ro a madrugada. O silêncio da madrugada. O som do próprio corpo. O som do silêncio. Aqui, a madrugada me brinda com helicópteros, sirenes, buzinas(mais uma vez), e uma infinidade de sons... Talvez esteja aí a razão para a irritação, desconforto e tantos estados estranhos em que as pessoas se encontram, apesar das belezas naturais... Apesar da exuberância desta cidade... A falta do silêncio não dá trégua para a alma. Estamos, por aqui, sempre em estado de alerta. Acordo cansada. Nem lembro dos meus sonhos. Olho, da minha janela, a vista perfeita da enseada de Botafogo. O Pão de Açúcar, o mar, os barquinhos, o calçadão, o céu azul... E a janela está fechada, sempre fechada. Se abro, por alguns instantes, é como estar do meio de uma obra, no meio de uma demolição constante. Nem o dia com ares bucólicos sobrevivem aos sons. A demolição da paz interior, provavelmente, é a causa de tanta agitação pelas ruas. Preciso do silêncio. Prezo o silêncio. E, estou sentindo uma saudade absurda do som do meu corpo, dos pássaros, do som do vento, do som da ausência de som... Saudade do silêncio!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A felicidade em estar viva!

São tantas as coisas pelas quais vale a pena viver... Quando nos deparamos com a morte, cada uma delas vai triplicando seu valor. No avião, na minha última viagem, passei por um susto. Um imenso e apavorante susto. O avião deu um "estalo" e caiu por alguns segundos. Uma gritaria, pedidos de socorro e muitos "ai meu Deus" depois, e o avião voltou ao normal. Gargalhadas. Muita conversa e algumas indignações. Passou! Não caiu. Não morremos. Mas, em breves segundos surgem todas as questões "e se...". Então, vem a triplicada valorização da vida. Primeira coisa que fiz foi ligar para as minhas filhas. Uma não atendeu. A outra ficou perplexa. E, depois de algum tempo, tinha a filha que não atendeu ao telefone em lágrimas, também pensando no "e se...". E a vida segue com um outro sentido. Somos seres efêmeros. E a vida é muito breve. Não temos todo o tempo do mundo. Somos finitos. Se existe alguma coisa depois, não sei. Sei que existe o "aqui e agora" e ele vale cada segundo da minha vida. A chuva caindo no meu rosto, o sol me aquecendo, o vento e todas as coisas que consigo enxergar... Valem a vida. Meus amores - Minhas filhas, meu marido, meus pais, meu irmão, meus sobrinhos, meus afilhados, todos os parentes e amigos, valem a vida. Cada momento passado com afeto, cada risada, cada lágrima, valem a vida. E as coisas pelas quais valem a pena viver são inúmeras. Desde o acordar de manhã com o clima que estiver, na cama que for possível, e do jeito que der... Até as grandes façanhas, as grandes conquistas e as grandes alegrias. A vida se faz das pequenas e grandes coisas. Dos momentos que nem percebemos ter vivido até aqueles que vivemos intensamente, sorvendo cada instante dele, com prazer e avidez. Levei um susto. Senti medo, é verdade. Mas, como tudo, tive a oportunidade de aprender mais uma coisa. Aprendi que a vida se expressa em todos os segundos, inclusive naqueles em que estamos sonhando. E, precisamos cuidar da vida que temos, que conhecemos, do "aqui e agora", com responsabilidade e carinho. E, SEMPRE, saber o que é a felicidade e o quanto a possuimos. Viver com o compromisso de ser feliz já era uma meta para mim. Agora é uma certeza que conquisto a cada instante. Escrevendo aqui, sorrindo em cada palavra digitada, expressei mais uma vez a alegria do avião ter me assustado. Só assustado e ter permanecido no ar... Não morri. O avião não caiu. E estou aqui. Que felicidade!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Tempo escorrido...

O tempo escorrido
Chega em águas ao mar.

Passa assustadoramente
Pelas minhas rugas.

Atravessa os fios brancos
dos meus cabelos.

Marca na minha alma
o que escorre nas minhas veias.

E o tempo escorrido chega ao mar.
Suas ondas batem na areia.

Deixam as lembranças em grãos
Em migalhas minhas
Eu escorrida na areia...

As palavras que já foram ditas.

Algumas coisas já foram ditas exaustivamente. E foram ditas de tal forma que repetí-las é cair no lugar comum. Tom Jobim falou tudo sobre o Rio de Janeiro. Mario Quintana falou tudo sobre Porto Alegre. E eu insisto em ficar por aqui tentando encontrar palavras sobre minha vida em Porto Alegre e meus dias no Rio de Janeiro. Tarefa impossível. Já falaram... Só posso repetir meu encantamento sobre as belezas naturais de ambas cidades, cada uma na sua proporção. Fui, mais uma vez arrebatada, pelo Museu de Belas Artes. Caminhar por ali é um passeio da alma. A calmaria e beleza do lugar me remetem a uma paz indescritível. O que dizer que já não tenha sido dito... Nem as palavras ajudam na hora de tentar descrever... Quando vim para o Rio, passei pelas ruas de Porto Alegre com ar de despedida. E só conseguia pensar em: "Olho o mapa da cidade como quem examinasse a anatomia de um corpo...". Cheguei ao aeroporto e voei para a cidade do Rio. E, na chegada, só conseguia pensar:" Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro..." Então, hoje, parei para escrever sobre as minhas emoções nestas cidades em que divido a minha vida. E só consegui encontrar palavras já ditas. Talvez só o meu encantamento seja inédito... Talvez!