quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Dias esquisitos!

Dias esquisitos.
Alguma coisa ronda...
A necessidade de mudança.
A necessidade de utopia.
Um pouco de sonhos.
O cansaço da hipocrisia.

Dias esquisitos.
Uma tristeza na alma.
Um desejo de sonhar.
Um pouco de incerteza.
Um medo de esperar.
A esperança em doses miúdas...

Dias esquisitos.
Não os quero mais.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Escrevendo novamente...

Voltei a escrever. Fiquei tanto tempo envolvida com outras coisas que esqueci, por instantes, o prazer que a escrita me dá. Costurei. Li, Bordei. Cuidei do jardim. Trabalhei.
Fiz todas estas coisas ao longo dos meses de 2013. E já está acabando. Abril se foi.
Completei 29 anos de casada. Assisti o vôo solo das minhas filhas. E vivi  cada dia deste ano. Só que sem escrever. E que falta me fez. Li poemas. Li romances. Descobri novos autores. Fiquei encantada com o Daniel Galera. Redescobri a poesia do Leminski. Descobri a Carol Bensimon. E conclui que o meu grande amor é o Mario Quintana. É quem me consola na inquietude. É quem me diz, de forma simples, o óbvio. Sem ser. Ferreira Gullar, Drummond, Fernando Pessoa, Rilke, Leminski e tantos outros... Mas nada se aproxima do que o Quintana me dá.
E eu voltei a escrever depois que li, várias vezes, cada pedacinho do " Velório sem Defunto". E a vida e a morte, dita por ele é sagrada. Quem leu me entende. Quem conhece o Quintana sabe o que eu estou falando.
Redescobri que a minha escrita é urgente. Escrevo, a maior parte do tempo, para mim. Assim como mato a minha fome. Assim como esvazio a minha bexiga. É uma necessidade que me mantém viva. Talvez por isto tenha me sentido com menos encantamento. Estava mais de expectadora. Agora voltei a atuar. Quem escreve me entende. E quem não escreve, por favor se aventure. É mais do que catarse. Mais do que auto-conhecimento. É a vida pulsando através das letras...


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Brasileiros e brasileiras!

Brasileiros e brasileiras!
Recebo, diariamente, mensagens indignadas contra corrupção, impunidade, barbáries contra animais, violência sexual, abusos de todas as formas. Recebo mensagens que criticam os indiferentes. E outras dizendo que Deus é o senhor. Deus é fiel e nos salvará.
Recebo pedido de amigos que nem conheço. Recebo emails encaminhados por pessoas que foram encaminhadas por outras pessoas e, que por sua vez, mandam mensagens contra impunidade, corrupção e, assim por diante.
Assino abaixo assinados. Compartilho algumas coisas que julgo importantes e, principalmente, participo de tudo aquilo que julgo importante.
Hoje, para minha surpresa, depois de enxurradas de mensagens e mobilizações contra Renan Calheiros, fui a uma manifestação quase vazia. Onde estavam os indignados? Aquelas milhares de pessoas que reclamam do Senado? Reclamam da impunidade. Reclamam da falta de credibilidade do nosso país. Não encontrei muita gente. Poucos estudantes. Alguns representando a UFRGS. Alguns representando movimentos chamados: Chega!; Basta!; Novo Brasil!...
Alguns idosos. Muitos, na verdade, em relação aos jovens. Pessoas com cartazes. Outras gritando palavras de ordem. Até o:"Povo unido jamais será vencido!", aos berros pelos parcos manifestantes.
Senti uma profunda tristeza. Estava com a minha filha. E estava triste. Envergonhada. Triste com aquele vazio. Com aquele reflexo de uma sociedade desorganizada e altamente individualista. Uma sociedade que se mobiliza pela internet mas não sabe mais como se reunir, fisicamente. As pessoas, sem jeito, chegavam ao local marcado. Sozinhas. Esperando encontrar um número significativo de pessoas. Mas... Onde estavam estas pessoas? Estava quente. Um dia de verão abafado. Era domingo. Tinha GRENAL. Tem muita gente que ainda está curtindo os últimos minutos de férias... E muitas outras justificativas.
Então, brasileiros e brasileiras, gostaria que soubessem que, sem uma sociedade civil organizada nada mudará. Enquanto nos escondermos atrás do nosso conforto, comodismo e medo, a sociedade seguirá a mesma. Vários Calheiros estarão no poder. Vários assassinos estarão soltos. E a impunidade reinará absoluta para sempre e sempre... E sempre.
Lembram como lutamos pelas diretas? E a Constituinte? Alguém lembra? Como o Collor sofreu o impeachment? Lembram?
Talvez um pouco de utopia seja o que nos falta. Só um pouco. O suficiente para acreditarmos que a nossa voz não se calará. E que os nossos direitos serão respeitados e garantidos. Só isto! Simples assim! Agora é só tirar a bunda do sofá e fazer alguma coisa...
 


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Dias de afastamento!

Tanto tempo sem passar por aqui...
A vida continua me oferecendo coisas incríveis. E tantas, tantas, que não dou conta de escrevê-las. Fico por aqui, dando conta de vivê-las. E sonhando em fazer mais coisas, com mais tempo e mais organização.
Descobri o prazer dos panos, agulhas e costurices em geral.
Fico um tempo descobrindo coisas para fazer. Outro tempo publicando na minha nova página. E outro tempo costurando. No meio do caminho eu cuido do meu jardim. Que é o alimento da minha alma. Cuido da minha família, da minha casa e da economia doméstica. Neste papel, especificamente, eu estou indo mal. Não estou conseguindo viver bem neste país sem inflação mas que o meu dinheiro não dá conta. Abastecer o carro? Um susto. Pagar as taxas de água, luz, telefone e otras cositas más? Devo estar fazendo alguma coisa errada. E preciso aprender, urgentemente!
Mas, tenho o prazer dos livros. E tenho feito grandes descobertas literárias. Descobri o Daniel Galera e o seu maravilhoso "Barba Ensopada de Sangue". Descobri Carola Saavedra, no seu bom texto "Toda Terça". E a vida me oferece a boa leitura antes de dormir. Deito na minha cama gostosa, fofa e cheirosa e... Leio até os olhos ficarem pesados. 
Mas, não estou escrevendo. Não estou conseguindo escrever. E isto significa que estou administrando muito mal o meu tempo. A escrita é puro prazer. É a minha catarse. E eu não estou escrevendo nada. Abandonei o blog... Sinto saudade daqui. Sinto saudade de vocês. Sinto saudade da boa troca que havia por aqui... E, hoje, eu gostaria de desejar a vocês uma boa noite. Criativa! Feliz! Cheia de lindas palavras. E, tomara que eu volte a escrever. E volte a passar por aqui... E reencontre vocês!
 
 
 
 


sábado, 5 de janeiro de 2013

Novo Ano! Nova Vida!

Mais um ano que passou. E uma nova etapa que se segue. Não tem como ser diferente. As resoluções são inevitáveis. Ler mais. Comer menos. Mais exercícios. Mais tempo. Tenho quantos anos? 50? Bom, então talvez esteja na hora de fazer mais coisas pelo prazer. Pelo prazer de viver mais e melhor. Pelo prazer da alegria. Amar mais não é piegas. É uma mensagem que nunca lemos suficientemente. Sempre perdemos para as bobagens corriqueiras. O humor azedo. A falta de paciência. A velha mágoa... Ressentimentos. Esquecemos que, em algum momento, decidimos ser mais amorosos, viver com mais compaixão... Quando mesmo? Ah! No último dia do ano... Bom, a resolução deste ano é não esquecer o que resolvi. Resolvi ser mais feliz? Checado! Resolvi ter mais tempo para os meus pequenos prazeres? Checado! Menos mágoa e mais tempo para amar? Ok! Então está acertado. Neste 2013 vou ler mais, comer menos, amar mais, ter paciência no trânsito, caminhar mais e, talvez, manter bem vivo, lá no fundinho da alma, a necessidade de mudar sempre. Um pouquinho a cada ano... Até que um dia, quem sabe, ficarei bem do jeito que desejo. E aí? Bom, aí pode acabar!

sábado, 8 de setembro de 2012

Quando abraçamos os amigos!

Tem coisas que valem tanto, tanto... Que faltam palavras para descrever. O reencontro de grandes amigos que o tempo manteve afastado por infinitas razões... Quanto vale? Aquele tanto, tanto que referi... Um encontro de almas amigas, com tantas coisas marcadas, tantas memórias felizes, tanto carinho que a palavra "tanto" insiste em aparecer, e aparecer tantas vezes que é um tanto complicado explicar a felicidade que foi este reencontro. Pude abraçar meu querido Ivoran Piazzetta, amigo de longa data, das cadeiras da PUCRS, dos jardins, dos bares, das calçadas e da vida. Olhei em seus olhos e reencontrei ali todo aquele afeto da nossa juventude, quando pensamos em mudar o mundo, mudar as coisas, mudar em nós tantas e tantas coisas, mais uma vez... E mudamos! Abracei a minha querida Izabel Soares, colega de tantas histórias, de tantos risos e alguns prantos. Estava ela aqui, bem pertinho de mim, mais uma vez, com todo nosso amor, aquecendo nossas almas. Que coisa boa! E o Eduardo? O Eduardo Orestes Barato, com o seu mesmo jeitinho doce e meigo de falar pausado, contar as histórias com a mesma ternura daquele tempo. A vida não infestou o meu amigo com maldade ou amargura. Ele segue carregando uma paz incrível. Sentamos, ao redor de uma mesa, os três colegas, meu marido, também nosso colega e eu formando um pentagrama, contando histórias de vida tão diferentes e tão iguais. Em algum momento somos os mesmos. Ali, naquele reencontro, quando nossos olhos se cruzaram e as histórias foram contadas, relembrando bons momentos, outros colegas e tantas coisas inacreditáveis, guardadas por uns, esquecidas por outros... Naquele momento encontramos pedaços nossos, daqueles remotos dias dos anos 80. Com o mesmo brilho, a mesma expectativa e o mesmo afeto latente que nos uniu e nos une, desde então. Trinta anos se passaram... A vida, neste momento, me ofereceu um forte e afetuoso abraço nestes amigos que amo. A vida me ofereceu um encontro de extrema alegria e felicidade. E que venham mais encontros destes, com mais colegas queridos... E que a gente possa abraçar o Carlos Assis, a Silvana Krause, a Ada querida, o Paulão, o Serginho... E tantos outros que estão aqui, marcados dentro da minha alma. Que reencontro feliz. Que felicidade ter amigos! Hoje amanheci com a alma leve e com um encantamento que só o amor entre amigos pode nos oferecer.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Minha janela vê!

Minha janela vê além do outro lado da rua.
Passa as casas, os prédios, as árvores...
Segue longe, a minha janela, bem além.
Passa os jardins, as calçadas movimentadas e o céu azul.
Segue pelo rio até o mar.
Minha janela corre o mundo em instantes.
E volta ao meu olhar...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Breve vida!

Sair de casa é sempre desafiador em uma grande cidade. São tantos carros, tantas pessoas, tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Nossa atenção se pulveriza. Aviões pelo céu, em seus ruidos ensurdecedores. As buzinas abafando todos os outros sons. As pessoas não falam, gritam. Os passos são firmes. Tudo faz barulho. E uma simples caminhada pela Enseada de Botafogo ganha um ar de aventura. O tempo para atravessar a rua... Quanto tempo...  Os carros que insistem em não parar no sinal vermelho. E o céu azul espetacular, o mar espelhado, seguem esperando, do outro lado, o meu olhar, quase exausto. Cansa esta corrida de obstáculos. E fico com saudade da zona rural de Porto Alegre, com toda sua calmaria e silêncio. Os passos das pessoas, os latidos dos cães, o assovio do meu vizinho passarinho... E a beleza e encantamento desta cidade maravilhosa fica nebulosamente escondida pela quantidade de gente que se esforça em estragar tudo isto aqui... Claro que não dá para andar de carro sem fazer barulho. Mas precisa buzinar tanto? E os gritos? Os atropelos? A agitação quase natural de quem nem enxerga mais a beleza do entorno? Sair de casa é uma aventura desafiadora quando precisamos nos armar de coragem para atravessar a rua, nos protegendo de homicidas em potencial. E fico buscando a gentileza das pessoas. Um pouco de alguma forma de delicadeza. Por favor! Onde está? Não é possível que estas coisas sejam esquecidas... O dia está espetacularmente lindo. Claro. Temperatura amena, com um vento que sopra do oceano, delicado, nos cabelos... E as pessoas apressadas, nem percebem. Tropeçam na falta de sentido que estão dando às suas vidas. E, é possível perceber isto em uma cidade grande, mais do que em cidades menores. Apesar de que este é um mal da era. Esta era de maluquices extremas, da eterna falta de tempo para as pequenas e leves coisas da também leve e... Breve vida!

sábado, 18 de agosto de 2012

Prazer nas pequenas coisas...

Quanto prazer nas pequenas coisas... Sair de casa bem cedinho... E o mar estava ali, à nossa disposição. Em tons de azul intenso brincando com os tons do céu. Um tempo dedicado para olhar tudo isto. Um suspiro profundo. E a certeza de ser feliz, nestes momentos. Café no Cafeína, com um pão indescritível. Caminhada por Copacabana e uma feliz descoberta: "Baratos da Ribeiro", um sebo charmoso, muito charmoso e, além do charme, cheio de relíquias maravilhosas. Encontrei o Garcia Lorca, depois de muita busca. Estava lá, pela bagatela de 12 reais. Bons livros, em estado perfeito, por preços mais perfeitos ainda. Quem não conhece, vá. Vale muito. Vale a ida, a descoberta e, principalmente, todo o tempo dedicado ao garimpo. Encontrei coisas preciosas. Depois desta feliz descoberta, meu coração feliz seguiu à passos lentos até a beira da praia. Cheia. Samba. Cantoria. Criançada. Depois da caminhada demos aquela parada estratégica no Joaquina, para comer bem, muito bem. Olhar o mar. Contemplar. Ouvir os sons. Ouvir a própria respiração... O que a vida poderia me oferecer melhor do que isto? Prazer nas pequenas coisas. E as pequenas coisas grandiosas, quando usufruimos cada minutinho delas... 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Como a nossa vida é...

Como nossa vida é? Como nossa vida tem sido? Recebi uma série de mensagens e comentários sobre o que escrevi anteriormente. E, na maioria deles as pessoas me disseram que a sobrecarga está em se reinventar diariamente. Ser além do que se é verdadeiramente. Ou, nas palavras do meu querido amigo poeta Carlos Pereira, "abdicamos de tantas coisas para nos tornarmos o que somos que no final de tudo já não sabemos quem somos". Como assim? Este mal é meu, teu, nosso? Como a nossa vida seria se estivéssemos prestando atenção nela? Porque esta sobrecarga foi colocada por quem? Por nós? Quem exige mais de nós do que nós mesmos? Quando abdicamos, abdicamos por quem? E por que? Depois de ler todas as mensagens fiquei pensando no quanto desperdiçamos... Quando imaginamos que a sobrecarga é de fato dolorosa, ou sobrecarga... Uma senhora bem objetiva, em um café, hoje de tarde, depois de ser muito mal atendida me disse: " filha, as coisas são do jeito que são..." e conformada com nem sei bem o que ela seguiu em passos lentos. Eu só conseguia pensar no que seriam "as coisas" e no " por que seriam como são". Estar inconformada é um estado de espírito constante. Estar em dúvida e precisar mudar a todo instante faz parte de mim desde sempre. E, na verdade, eu não sei quem eu sou. E nem sei se quero saber. Mas sei que não abdiquei de nada. Fiz escolhas. Com toda liberdade que tive para fazê-las. Em cada escolha tive a oportunidade de ficar satisfeita ou não, de me arrepender ou não. Mas eu as fiz. Cada uma delas. Sou em parte, fruto do que escolhi e, em parte, resultado do que tento transformar. Em mim, em todas as coisas... Quando penso no peso de sermos o que querem que sejamos, penso na decepção que podemos causar aos outros. Posso não ser a filha que minha mãe sonhou. Posso não ser a mãe que minhas filhas sonharam, posso não ser uma porção de coisas. Mas, ao mesmo tempo, posso me reinventar, com todas as possibilidades de aprendizado. O que vi dos outros. O que vi de mim. O que sonhei. O que frustrei. E, posso, amanhã, pensar completamente diferente, porque alguém com argumentos poderosos pode me convencer do contrário. E, talvez aí esteja uma das maravilhas da vida... As inúmeras possibilidades que se apresentam diante dos nossos olhos. E com elas? Sim, com elas decidimos o que fazer. Vivê-las, ignorá-las... Ou até ficar por aqui, abrindo o coração em divagações e dúvidas... 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Como nossa vida poderia ser...

Como nossa vida poderia ser caso não estivéssemos sobrecarregados pela necessidade adicional e dolorosa de sermos nós mesmos. Seria uma indagação? Sim! E uma indagação do Alain de Botton, no seu livro "Religião para Ateus". Desde que li fiquei com a frase martelando a minha cabeça. E a sentença virou uma pergunta. Que virou uma instigante dúvida existencial, acompanhando outras tantas... Mas, fazer o que? Como poderia ser a nossa vida se pudéssemos nos reinventar diariamente. Porque acordamos com os compromisssos assumidos na noite anterior. E com a carga que carregamos ao longo dos anos. Aquilo que somos mais aquilo que pensam que somos. Como se isto não bastasse,e ainda tem aquilo que desejamos ser. Será? Bom, na dúvida resolvi despejar por aqui todas as minhas incertezas de hoje. Digo, HOJE, porque é bem possível que elas mudem. Sou um pouco assim. Além da necessidade de ser "eu mesma",tenho a necessidade adicional de entender porque preciso mudar a todo instante. PRECISO é o termo certo. Porque uma insatisfação absurda toma conta de mim quando as coisas ficam muito iguais. Sabe aquela necessidade da vida ter um "toque" especial todos os dias? Pois é, compartilho disto. Preciso fazer isto para o dia valer a pena. Não são grandes feitos, mas as pequenas coisas... Aquelas coisinhas que amenizam a sobrecarga de sermos nós mesmos... Aquilo que esperam de mim? Ok! Dei conta. Espero. Mas o que eu espero de mim? O que tu espera de ti? Como poderia ser a nossa vida caso não estivéssemos tão preocupados em prestar contas? Não é só fazer o que quiser. Não, isto é irresponsabilidade. É fazer aquilo que se deseja, em quase todos os momentos. Quase... A vida poderia ser mais leve se, em alguns momentos pudéssemos deixar de lado toda esta sobrecarga de sermos nós mesmos aos olhos dos outros. Mesmo que seja no escuro do quarto, às portas fechadas, em momentos quietos e tranquilos... Momentos nossos, sendo um pouquinho o que a gente é, sem medo de ser assim... Deste jeito. Seja ele qual fôr.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Reverenciando a vida...

Tantas coisas são possíveis... Além de tudo o que podemos imaginar. As surpresas nos pregam mais do que o inesperado. Nos dão um novo sopro, uma nova perspectiva de todas as coisas. Valorizo mais a vida depois que o meu avião quase caiu. Valorizo mais a vida depois que meu marido enfartou. Olho as coisas de outra maneira. Elas tem outro sentido. A vida tem outro sentido. Como se outras chances fossem dadas toda hora e só em alguns momentos percebemos isto. Porque viver é muito bom. Viver é especial. Estar rodeado de quem amamos, de quem queremos bem... São doses diárias de felicidade. Estas doses sempre me alimentaram, só que, com o passar do tempo a finitude vai nos mostrando que, cada minuto é fundamental. E, mais do que isto, não é clichê acordar e esperar o que a vida tem para nos oferecer. Viver e reverenciar a vida... Não é clichê. É vida! A pura e maravilhosa forma de viver. Viver com intensidade. Viver com paixão. Viver com alegria. Estou aqui, depois de muitos dias sem escrever no blog, só por uma razão: para reverenciar a vida. E reverenciando, quero agradecer a todos que fazem parte dela. Pessoalmente ou por aqui, nas páginas virtuais que muito me alegram. E, dão, também, significado para o que a vida me oferece. Oferece vida. Oferece vocês. Oferece a alegria de escrever por aqui...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Aconteceu em Brasilia

Planalto central. A paisagem mais verde do que me lembrava. Cidade ampla. Brasilia dando um show de arquitetura. Espetaculo de curvas e movimento, tracos precisos e visionarios. Obra prima do Niemeyer. E, depois de um susto absurdo, consegui respirar fundo e olhar a cidade. Porque a vida tem destas coisas. Ela se apresenta de diversas formas. Com dor e amor. Com a feiura e a beleza. Com a paz e a aflicao. Com a fe e a descrenca. Seja como for, voltei para esta terra depois de 30 anos, numa corrida insana. Vim porque precisei. Nao escolhi estar aqui. Mas depois que tudo passou e se resolveu, gostei de estar aqui. Consegui ver o que a vida, mais uma vez me ofereceu. Em forma de possibilidades, mil possibilidades... O ceu azul, bem claro. O clima seco. As pessoas com multiplo sotaques, religiosas, e atenciosas. Recebi carinho de desconhecidos. Recebi abracos e afeto de pessoas que talvez nunca mais volte a encontrar. E nem sei o que senti. Nem sei como descrever o que senti. Uma sensacao de acarinhamento, de amor, acolhimento... Tudo isto na paisagem do planalto central, emoldurada com a arte do mestre da arquitetura... E o susto se transformou em um longo suspiro de contentamento. Um suspiro de vida! E voltarei para a minha terra com uma bagagem mais leve. Vou levar na alma um encantamento com a humanidade. Um encantamento com este pedaco de terra brasileira tao linge da minha e tao dentro de mim, a partir de agora... Muito obrigada, Brasilia! Muito obrigada! E peco desculpas a voces pela falta de acentos... Mas esta maquininha que digito e desprovida de cedilha, acentos, til e tudo mais... Leiam com a alma, mais do que com a razao...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Certezas? Nem tanto...

As certezas... Quem as tem? Eu nao! Com certeza nao sei de absolutamente nada. Simples assim. Nao sei. Acordo achando que sei o que vem pela frente e a surpresa do que nao sei se apresenta da maneira que ela sabe bem. Ela sabe e eu nao sei. A surpresa! Simples assim. E eu sigo sem saber o que vem e nem sei se quero. Vai que tenho a certeza de que nao gostarei. E se o que vier for insuportavel? Nao quero! Mas se eu nao souber? Bom, entao, tolero. As doencas sao assim. As mortes. Todas as perdas. Incendios. Terremotos. Acidentes. Demissoes... Se eu soubesse... Mas como nao sei e nunca saberia... Tiro de letra. Arraso com o perigo... Sem as certezas vem as incertezas. Estas sim conheco muito bem. Sei cada uma delas. Sao minhas parceiras desde a infancia. Alias elas sao as certezas das incertezas, capitou? Deu para entender? Tambem nao. Porque as vezes a vida e exatamente isto... Uma conversa de malucos...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O NADA e nada mais...

Tantas coisas a serem feitas... Tantos livros para serem lidos. Tantos filmes para serem assistidos. Tantos Museus, Galerias, Clubes, Casas se Amigos, Parques, Praças e o NADA...Por que temer o NADA? O vazio? Existem religiões que se propõem a isto. Encontrar o vazio e descobrir o EU interior e blá blá blá... E ficamos correndo atrás do próprio rabo? A minha gata faz isto. Fica muito tempo intrigada com o próprio rabo e, muitas vezes se irrita, com aquele corpo que não identifica como seu. Viu? Nem somos tão racionais assim. Brigamos internamente com tantas partes que não identificamos como nossas. É só ficar com a tv ligada para descobrir os anseios( e são tantos) da humanidade. O corpo, o peso, a juventude, as cores que ficam bem com tal tom de pele, a sexualidade, a maternidade, a paternidade, a liberdade, o preconceito... E tudo isto em pacotes de minutos, com graça e superficialidade que, é óbvio, não dá conta de absolutamente nada. Porque a existência não é superficial e as nossas preocupações não são de fato o que a mídia nos mostra... (Mas isto é outra coisa) E segue a perseguição ao próprio rabo. Claro! Como daremos conta do NADA? Aquela sensação clássica de que NADA é suficiente. Aquela sensação de que poderíamos ter mais alguma coisa. E não digo mais um carro, ou casa, ou bolsa... Estaria no pacote dos minutos de superficilidade de soluções. Digo que esperamos mais da vida da gente. Fazer mais com o tempo. Ou fazer com que o tempo tenha uma durabilidade maior qualificando-o. E talvez aí é que entre o NADA. Ficar sem fazer NADA, nesta sociedade absurdamente atribulada pode te dar um novo sentido para a vida. O sentido da escolha. Ôpa! Vou escolher o que fazer. Hoje não quero correr atrás do próprio rabo, quero me comportar como um ser racional, sem perder a INTUIÇÃO. Quero colocar o pé na terra, brincar de mulher das cavernas. Ficar quieta e descobrir que ouvindo o canto dos pássaros, olhando um pouco o céu, deixando o sol aquecer um pouco a face, sentindo o aroma das flores e ouvindo a própria respiração é possível, e digo POSSÍVEL, que eu encontre algum sentido nesta corrida desenfreada a que as pessoas se propõem, enquanto o tempo passa em velocidade vertiginosa. E é possível que eu faça todas as coisas que precisam ser feitas com mais cuidado e mais calma. Vivendo mais intensamente, desde o café da manhã, às responsabilidades do dia a dia, até os prazeres diários que, muitas vezes nem percebemos o quão prazerosos são. Então, convido vocês a uma parada estratégica. Só um pouco. Onde vocês estiverem. Prestem atenção na própria respiração, olhem ao redor, com ternura e encantamento e descubram pequenos prazeres nestes minutos relâmpagos que não podemos perder. A vida quando não apreciada é desperdiçada. E parar um pouco e fazer NADA, descobrir o NADA ou buscar o NADA lá no fundinho... Faz tanto pela gente... Sei disto. Descobrimos coisas inacreditáveis que somos capazes. Olhar ao redor é perceber o que a vida tem para nos oferecer, não como uma dádiva, algo divino, mas como algo que nos damos diariamente. São pacotes nossos que esquecemos de desembrulhar. Saímos da cama com muitos objetivos, muitos compromissos, muitas coisas...É a urgência da vida. Toca um alarme estridente te avisando que está na hora de despertar... O silêncio! Viver! E saber viver! Viver intensamente e não querer mais NADA!



sábado, 7 de julho de 2012

Gabrial Garcia Marquez!

Gabriel Garcia Marquez não escreverá mais. Está com 85 anos e demente. Notícia do tele jornal. Demente! Palavra forte! E é quase impossível acreditar que aquela pessoa que criou personagens tão fantásticos possa ter demência, esquecimento ou qualquer outra palavra que denote confusão... Ou seja lá o que for... Estou muito triste. Ele é um dos meus escritores favoritos. Escreveu meu livro favorito. "O Amor nos tempos do Cólera"... Li quatro vezes. E em cada uma das vezes fui surpreendida. O Garcia Marquez tem um dom fantástico. As palavras te remetem a aromas, cores e sabores. Conheci cada lugar que descreveu. Através das suas palavras e do seu olhar... E, quando lançaram o filme, "O Amor nos Tempos do Cólera" bem Hollywoodiano não assisti. Não poderia. Nenhum ator poderia ser sequer parecido com qualquer daqueles personagens. Impossível. Memórias de Minhas Putas Tristes, Crônica de uma Morte Anunciada(primeiro livro dele que li), Cem Anos de Solidão, Outono do Patriarca... E não escreverá mais... Tantos livros. Li quase todos. Amei cada palavra. Tive dificuldades com Cem Anos de Solidão. Livro favorito da minha querida tia Jane, precisei ler duas vezes, porque na primeira me perdi completamente com os personagens... Precisei de um bloco para anotar quem era quem... E rimos muito disto. Não foi o meu favorito. Talvez eu volte a ler para ver se mudo de opinião. Afinal é o livro mais premiado e comentado dele. Os grandes escritores tem este efeito. Nos fazem ir e vir em seus livros, na busca pelas suas palavras, ao longo dos anos... Tem livros que precisam ser lidos depois de um certo tempo, depois de uma certa idade, com mais maturidade e tal. Não é bobagem. Realmente acredito nisto. Às vezes um mesmo livro tem efeito completamente distinto, em função da época da leitura. Comprovei isto. Li Dom Casmurro na Escola, com 13 anos. Odiei. Depois voltei a ler, adulta. Amei! Li Cem Anos de solidão com 21 anos. Acho que agora é hora de ler de novo. Meu coração entristecido senti um aperto pelos livros dele que não virão. Personagens fantásticos que não serão criados... Vou reler Gabriel Garcia Marquez, como uma homenagem ao maravilhoso escritor que é. Deixou por aqui uma marca profunda e eterna. Nada pode apagar suas palavras. Só espero que venham outros Garcia Marquez... Outros escritores igualmente talentosos, criativos e arrebatadores. Talvez! 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Delicadeza dos Relacionamentos!

As relações são delicadas. Mesmo que se viva décadas ao lado de uma pessoa, tem dias que não é possível falar, com ela, sobre assunto algum. Palavras medidas, pensadas e, mesmo assim, soam erradas. A delicadeza das coisas. Pai e mãe são afetos garantidos? Sim! Mas as palavras trocadas precisam ser pensadas, elaboradas, porque qualquer descuido abre crateras emocionais. Fendas imensas que vão aumentando ao longo da vida e criam um distanciamento inacreditável. E os filhos? Vale para todos os amores. Cuidado com as palavras. Cuidado com o humor. Cuidado com a sinceridade dos sentimentos. Porque a delicadeza das relações é inexplicável. Amigos de longa data se magoam por coisas que nem sabemos bem explicar. Foram palavras que proferi? Alguma careta que fiz? Onde foi que eu errei? Sim, porque este constante cuidado com as relações acabam criando uma exaustão emocional tamanha que o melhor remédio é o "mea culpa". Pronto! Errei! Desculpa. Vamos seguir em frente? Não é possível viver sem ter com quem compartilhar a vida. A alegria só é real quando compartilhada. E um mundo de mágoas e rancores não dá lugar para este compartilhamento necessário. A vida só tem sentido quando espelhada em algo ou alguém. Vivemos com objetivos. Vivemos por alguém ou por alguma coisa que alguém precise ou se beneficie. É assim desde sempre. Nem o Buda no seu isolamento máximo, buscando a iluminação, fez por si. Tudo que ele fez foi para ser compartilhado. Até a própria necessidade de se isolar para se conhecer... Enfim, a vida me oferece coisas preciosas, todos os dias. Com algumas aprendo. Com outras teimo em não aprender. Fico achando que as coisas podem ser diferentes daquilo que são, que as pessoas podem ser diferentes daquilo que são... Inclusive eu. Mas, na verdade, pelo menos na minha verdade, a delicadeza das relações humanas me mostram, diariamente, que além das boas palavras, das palavras medidas e dos afetos ponderados, temos e imensa liberdade de escolher quem amamos. E amamos quem entendemos, não entendemos, quem, eventualmente queremos esganar e, sempre, precisamos por perto para compartilhar. Compartilhar o amor. Compartilhar o que a vida nos deu. Compartilhar a delicadeza desta tênue linha que nos une de forma inexorável. Cuidar com delicadeza dos meus amores é mais um objetivo que me imponho. Pensar antes de falar. E, quando falar, lembrar de dizer: Te amo! E te quero por perto!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Luiza fez 20 anos!

Há vinte anos atrás estava, neste momento, me preparando para ter a minha segunda filha. Hospital. Tralha e tal. Aquela ansiedade que dizem ser normal. Um sol espetacular como o de hoje. Um céu super azul. Minha filhotinha mais velha estava junto sem saber muito bem o que esperar. Nem eu sabia. Porque temia secretamente não ser capaz de amar as duas filhas da mesma maneira. Fui. Fomos. O pai coruja, a filhotinha pequena, a vó ansiosa, todos juntos. Entrei na sala de parto e senti, pela segunda vez, as mesmas coisas. A mesma sensação inacreditável de explosão de amor. Quando a Luiza saiu de dentro de mim, grande e linda, aos berros, meu coração aos pulos caiu de encantamento. Hoje, depois de vinte anos, ele segue assim. Encantado, apaixonado, enternecido... Olhando o dia, os pássaros, a trégua que o frio nos dá no dia de hoje, recebo como um presente duplo. O clima se assemelha com o de 20 anos atrás. A sensação de tempo passado, com tanta pressa, dá uma trégua momentânea... Vou fazer de conta que o tempo nem voou tanto assim. Mas vou me aninhar neste sentimento perfeito de alegria, orgulho e felicidade, pelas filhas maravilhosas que tenho. Vou comemorar as duas décadas de vida do meu nenê. E vou viver intensamente este sentimento que a maternidade me trouxe, de plenitude... 

domingo, 17 de junho de 2012

Entre os pontos...

Ponto. Vírgula,
Ponto e vírgula;
Reticências...

Exclamação!
Oh! A Sensação!
Oh! O Sentimento!

Interrogação?
Dúvida?
Não sei?

Talvez não saiba...
Não sei se sei...
Não sei se sinto...

Só duvido que descubra
Qualquer coisa
Até o final da minha vida.

Porque entre todos estes pontos
Estou eu...

Sem saber quem sou!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Irracionalidade materna...

"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida. Vem através de vós mas não são de vós e, embora vivam convosco, não vos pertencem." Sábias palavras de Khali Gibran que, há muitos anos atrás usei. Recitei o poema para a minha mãe porque imaginava precisar de espaço. Queria resolver as minhas coisas. Serviu! Desde então tenho o poema como um mantra,um mantra de autoconvencimento. Tive minhas filhas. Claro! Não são minhas. São filhas da ânsia da vida e blá blá blá. Vivem comigo mas não me pertencem. Sei! E fico feliz em saber que elas são livres. Tem as asas para voarem atrás de seus sonhos. Deu certo. São seguras do que querem e sabem que podem partir para qualquer nova empreitada da vida. Fico feliz. Emocionada. Sinto orgulho e tal. Mas uma pergunta não quer calar: o que faço com o meu lado "mãe pata choca"? O que faço com a minha irracionalidade materna? E o meu medo de perdê-las? E o medo de que as coisas não saiam como elas imaginam e eu nem estarei por perto para ajudar. E o medo de que não precisem da minha ajuda? Sim. Eu tenho medo. Tenho medo de perdê-las desde a primeira vez que as acolhi em meu colo. Tenho medo que se machuquem. Tenho medo que adoeçam... Tenho tantos medos que talvez nem dê para descrevê-los... E o que fazer com tudo isto, agora que uma das minhas filhas resoleu alçar vôo solo? Para bem longe... Meu discurso de mãe racional não está combinando com meus olhos sempre molhados. Todos os livros que li para aprender a racionalidade da maternidade estão queimando os meus dedos... Deixo ir. Sempre deixei. Assisto as escolhas delas com orgulho. Mas será que é proibido concordar em lágrimas? Será que eu posso apoiar dizendo que vou morrer de saudade? Será que eu posso participar de todo o planejamento com o coração orgulhoso e triste ao mesmo tempo? Tem coisas que a vida não nos ensina... Não sabemos nada de véspera. Até viver cada uma das coisas que se apresentam, não temos a menor ideia do que faremos diante delas. O "se" não é real. "SE" fosse, a vida seria muito sem graça. Porque, apesar de sentir um turbilhão de coisas, se soubesse como seria eu não estaria vivendo nada disto. A surpresa nos faz viver intensamente. A racionalidade e a irracionalidade do amor. As incertezas dos sentimentos. A ausência de palavras... É, às vezes as palavras desaparecem da minha boca. Fico sem saber o que dizer. Normalmente sorrio, na esperança de que algo surja. O que responder à seguinte sentença:"mãe eu vou estudar fora do país... E não pretendo voltar..."? Antes das palavras surgirem, derramei um monte de lágrimas, abracei, apertei, solucei e disse: "Te apoio e fico torcendo para que a tua escolha te faça feliz!" E agora só me resta encontrar esta racionalidade toda que, sinceramente não sei por onde anda...